Entre a Cruz e a Espada
Archibaldo sentiu os olhos arderem e as lágrimas, teimosas e inesperadas, embaçarem sua visão, mas ele sabia que não poderia deixar que nada interferisse em sua decisão. Não podia perder a concentração; estava ali é verdade, mas ninguém lhe havia perguntado se era isso que ele queria. Ninguém, nem mesmo seu tratador, o único em quem por algum tempo confiara e acreditara ser seu amigo, seu único amigo – esse o havia traído.
Ainda conseguia sentir o toque de suas mãos sobre sua cabeça alongando-se até o seu nariz; ainda conseguia ouvir o tom carinhoso com que ele lhe falava “Coma, pequeno Archibaldo, quanto mais saudável for, mais justiça a seu glorioso pai fará.”
Seu glorioso pai, Alonmanzor, o único touro a ser indultado por sua bravura, por sua luta em prol de sua espécie e raça, aquele que um dia lhe confessara:
”Bal, meu filho, estou cansado. Se amanhã eu não voltar, me perdoe, mas acredite em mim: eu o amo e sempre o amarei.”
“Pai, do que é que está falando? Você não pode me deixar.”
